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13 March 2010

Oliverio Girondo

Tradução de Adriana Zapparoli, publicada na Cronópios.

Para mim

Os mais escuros estremecimentos para mim
entre as extremidades da noite
os abandonos que crepitam
quanto vinho a mim acompanhado
pelas miragens do desejo
o inteiramente liso na penumbra
as enchentes menores já que com lua
ainda quando o sonho ulula entre mandíbulas transitórias
as teclas que nos tocam até o osso do grito
os caminhos perdidos que se encontram
baixo a folhagem do choro da terra esperança que espera os tramites do transe
por muito que se apóie nas conjunturas do fortuito
para mim para mim a plena íntegra bela para mim hórrida vida


Em especial:
"os caminhos perdidos que se encontram
baixo a folhagem do choro da terra"

"las crecidas menores ya con luna
aunque el ensueño ulule entre mandíbulas transitorias"


Aparição urbana

Surgiu de baixo da terra?
Se desprendeu do céu?
Estava entre os ruídos,
ferido,
malferido
imóvel,
em silêncio,
cravado ante a tarde,
ante o inevitável,
as veias aderidas
ao espanto,
ao asfalto
com seus cabelos caídos,
com seus olhos de santo,
todo, todo desnudo
quase azul, de tão branco.

Falavam de um cavalo.
Eu creio que era um anjo


Baía Anímica

Abra casa
de gris lava cefálica
e confluências de acúmulos de lembranças e luzbatido cósmico
casa de asas de noite de arrebento de enluarados espasmos
e hipertensos tantas de ausência
casa cabala
cala
abracadabra
médium lívida em transe sob o gesso de seus quartos de hóspedes defuntos travestidos de sopro
metapsíquica casa multigrávida de neuroses e ubíquos ecosecos de circuitos asfixiados
clave demonodeia que conhece a morte e seus compassos
seus tambores afásicos de gazes
suas finais comportas
e seu asfalto

Em especial:
"Abra casa
de gris lava cefálica"

"casa de asas de noite"

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