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21 May 2017

Paperback edition of THE SEAFARER, THE SEA: She Awes now available online

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3 March 2017

'O Valete de Espadas'

"Uma resposta é uma coisa séria, mesmo quando se trata de um cumprimento. Há sempre o perigo de responder errado. Por isso, às vezes -- muitas vezes -- prefiro passar por incivil e não respondo. Todos os erros do mundo se devem a respostas erradas. Além disso, aquele "bonjour, m'sieu"-- foi tão débil e maquinal, que não lhe correspondia resposta alguma. De palavras assim, o povo diz que entram por um ouvido e saem pelo outro. As verdadeiras perguntas talvez nem entrem pelo ouvido. Caem no coração e ficam batendo aflitamente as asas, como um pássaro no alçapão."

"Em que língua deverei falar? É fora de dúvida que não estou em meu país. Em meu país todos os homens são deliciosamente morenos e de belos rostos compassivos. Estes são ruivos, louros, calvos, narigudos. Todos os sinais de imbecilidade e grossura das raças louras. De qualquer maneira, é preciso perguntar."

"Aproximei-me do porteiro. Ia crivá-lo de perguntas. O homem estendeu-me maquinalmente o braço para receber uma coisa que eu tinha na mão. Hesitei um momento, e estendi-a:
--Sim, senhor. Minha chave."

"Fiquei curioso para ver a face dos outros, e olhei as mesas em redor. Um bigode maior, um bigode menor, mas todos do mesmo feitio. As senhoras e senhoritas provavelmente pintaram os lábios com o mesmo batom. São faces de um clichê coletivo. Quem será o autor desse clichê? São rostos sem mistério. Mas estão longe de ser francos. Os rostos verdadeiramente francos abrem janelas para o mistério. Não são assim despejados."

"Dói muito a condição dos homens. Está sujeita a todo um jogo de engrenagens inesperadas. As plantas e os animais são mais felizes, porque morrem com muita facilidade. As orquídeas do Equador e as jandaias cearenses não saberiam viver um dia nas regiões polares. Não aceitam a mudança. Seria a metamorfose. E entre a metarmofose e a morte, preferem a morte." -


Trechos de 'O Valete de Espadas', Cap. I, de Gerardo Mello Mourão

1 March 2017

The balance of the limbs
Inside a flower

A blend of muscles and breath

And us, centaurs without a horse,
Fooled by our own reading

Be either ourselves churches or belonging to one
Oh, dear! Of the lords, this is power. Believe.

Flower, oh flower of the giants

From dust, it is:

CARITAS


Poem from my book "The Seafarer, The Sea: She Awes."

17 February 2017

The Disappearing Buddha?

"(...) So people, many of them projected onto me, whether positively or negatively, but yes they projected. And because they projected they weren't really able to experience me or communicate with me as I really was. I won't say really was in the ultimate metaphysical sense, but at least as I really was in the more conventional sense. And it's because they were unable to experience me as I really was, so to speak, that the real communication between us could not go beyond a certain point."

 "Here we're too different, we can be a little bit different of course, well we are different anyway, but we mustn't be too different, otherwise people will project onto us and projection interferes with communication."


Fragments from 'The Disappearing Buddha' by Sangharakshita (https://www.freebuddhistaudio.com/texts/read?num=183&at=text&p=3)

What Sangharakshita says in these fragments apply to many other cases. When, for example, a Tao follower or any other foreigner doesn't know whether he or she is judgemental or is overloaded by so many strange projections onto him/her. It's quite tiring and it does block any possible spontaneous communication with people. It can also apply to people's communication via social networks, in which one's political views, if not fitting into a standard view of political correctness, can be targeted with speech projections of other people's prejudices as a means of Catharsis, purification.

8 February 2017

O Presságio das Arribações

As estações mudam, como de se esperar, ante as nossas vistas núbias. Arribações pressagiam desgraça. Uma festa de urubus tomando a cor do sol nascente. Preparam-se para limpar as carcaças.

Imigrações em massa. Início da seca, da fome.

Eu sou um pássaro e mesmo assim ponho um ovo a mais sobre a planície dos mundos. Por que questionar as vilezas de um tempo assim? Eu também tenho o meu fim no horizonte. Que eu então me ocupe de meu ninho e me esqueça das nuanças entre bom e mau. Isso eu deixo aos tolos. Que percam os seus digestivos.

Se questionar a maldade é somente questionar as grandes mídias, mesmo que não traga nada mais do que confusão, a que me serve? Que se dane o progresso do mundo. De nada saberei entre o mau e o bom espelhando-me em tolices. Eu não perco a minha face perante o tempo. Que eu sou finito, eu sei. Assim como todos os meus vizinhos. Logo, seguirei procurando rios e bebedouros.

Sei também o que há por vir. Que quando os urubus chegarem, eles serão os nossos heróis. E meus vizinhos os seguirão, mesmo depois de tanto os condenarem. E a visão do futuro será tomada por pássaros comendo os olhos dos mortos. E talvez de alguns vivos. Em suas vastidões, o medo e a fome girarão a grande roda do mundo mais uma vez.




Texto de Karinna A. Gulias

26 January 2017

Live is greater



Sempre gostei da alma um tanto árabe desta canção. O que injustamente não encaixa tão bem é a letra, óbvia. A maneira de cantar de Dulce Pontes não é a minha favorita, mas eu gosto neste arranjo ao vivo, pois Dulce improvisa e canta com paixão.

Há uma outra versão também muito bonita de Amália: