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9 July 2009

A imaginação na poesia

A imaginação é uma palavra vazia. Ela é uma fragmentação do humano; assim como o corpo, o espírito e a mente são.

A poesia relaciona-se muito mais ao Mito e à profecia que a qualquer conhecimento humano.

"O conhecimento e a descoberta como processo, como vontade de transformar o mundo de si mesmo e pelo trabalho ativo; como penetração no âmago do universo para esclarecer-lhe a natureza; enfim, como processo em que os objetos não se criam, mas são produzidos, estão em guerra constante com o Mito.

Bastará uma comparação precisa entre Mithos e Logos (gregos) para reconhecer tal oposição entre mito e conhecimento."

De nada sabe o homem ou a mulher que ao divino não tenha perguntado. O saber divino, conhecedor das coisas a partir delas mesmas, é o mito. A partir do momento em que o humano tenta forjar uma assimilação metafórica em cima de um mito, ele está tirando do mito aquilo de mais divino, o poder das coisas criarem-se a partir de si mesmas e dizerem o seu nome. Quando a história de um fenômeno ou coisa se faz conhecer ao homem ou mulher que interroga, o mito acontece. Entretanto, quando esta história parte do homem que tenta explicar o que observou, o que lhe despertou a curiosidade e que seus conhecimentos não são suficientes para explicar, podemos chamar de análago ao mito, mas não mito. Entra aí a imaginação.

No mito não há imaginação; há profecia. "O mito é o lugar onde o objeto se cria a partir de uma pergunta e de uma resposta; por outras palavras: o mito é o lugar onde, a partir da sua natureza profunda, um objeto se converte em criação (Schöpfung)." O Mito está orientado para o futuro.

"Nasceu daí o desejo de compreender tais fenômenos e a curiosidade expressou-se em interrogação. Um e outro responderam e a resposta era a profecia verídica que permitia vê-los, percebê-los, pois a profecia está ligada à visão."

"Mas eis que existe um lugar em que o universo - considerado aqui como evento - faz-se conhecer a si mesmo, confessa-se a si mesmo; um lugar onde a pergunta "Que vai acontecer?" recebe uma resposta. Não se aprende aí mais do que em qualquer outro lugar, e sem meios extraordinários, inacessíveis aos comuns dos mortais; só que a pergunta se resolve então numa resposta e a realidade objetiva cria-se a partir da pergunta e da resposta. Tal lugar chama-se oráculo."

Quando o universo se cria assim para o homem, por pergunta e resposta, tem lugar o Mito.

Não quero dizer que não se pode fazer poesia com imaginação, pois pode-se fazer poesia com tudo do humano, mas essa poesia não será originária, pois parte do conhecimento, que é fragmentário, e do ego. De acordo com os gregos antigos, basear-se no conhecimento é um erro, chamado de temeridade e tolice.

(Reflexões sobre trechos do livro Formas Simples de Andre Jolles)